Secou. Murchou com o calor, com a escuridão, com a falta de amor-se. Definhou-se. Beijou o chão, espreguiçou-se passivamente num desacolhimento áspero. Começaria o outono, passou o outono, mergulhou no inverno da lama. Estagnou-se. Já não havia estremecimento com sons tesudos, nem quadros nas paredes. Era como ver televisão, mesmo sem a ter. Pro mais fundo apenas basta a ausência do essencial.

Regou. Regou. Regou. Sem expectativas. O mais sábio foi enfiar suas mãos ali, debulhar as pedrinhas que se formaram, roçar elas até que se restransformassem em areínhas das mais finas que conseguisse chegar. Passou o verão… e outro verão. Foi então que notou que ainda mais sábio era mergulhar as mãos até os cotovelos e parar ali; ali ficar. Restabelecimento do centro como um descanso no peito, no seio da terra.

Mamou o ar pelo nariz. Já era outono outra vez e ela tirara os braços. Adubar-se vivendo as cascas, os cheiros, os bagaços, a respiração lenta, o molhar-se naturalmente, humidificar-se da adubação. Reconstituição da feminilidade vã e crível, a necessidade.

De arder-se em chamas violentas, sabendo ser tudo que se quisesse tecer. Amar a luz tanto quanto a escuridão. Não houve sementes de outra espécie. Houve mesmo foi um sei lá quê de vida que buscou e encontrou o sol novamente. Um suave broto.

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Dança interna que se expõe
Inocente ruído

Fogos de artifício antes algodões doces

Passarinho
Arco-íris

Pra que a pressa diria qualquer ser natural

Modernidade

Diria o poste pós mort moderno

Questão de sentir
De esperar
De lidar
De sensibilidade
Criatividade
Corpo
Chorar sem lágrimas
Docilidade

Cuide-se
É toque de amor
De descuidados

Cuido-me
Te
Suborno

Superestimou
Concretos usados

Real
Mais que meu mundo
Desleal
Irreal
Surreal
Natural

Até que forte ponto
Não me entendam
Sem dor nenhuma

De vez em quando sim
Falo pra eles
Eles sentem dor
Quando conseguem

É uma verdadeira vitória

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Sei que em meio a esse sentir não sentindo nada
Que às vezes me paralisa

Escondem-se os sentimentos mais doces
E os medos mais brutos

Sei que sentir você aqui em lembranças e outras destas que a gente nem viveu

É como desenhos imaginados que não foram pro papel

Parece que acessar o que eu sinto só é possível com você ao lado

Mas tenho dificuldades de permanecer nos seus olhos
Do que será que eu ainda fujo?

Quem sabe você nunca notou minhas fugas
Ou quiçá as esqueceu

Tento passar sem causar ruídos
E sei que consigo
Mas meus tropeços me denunciam

Tropeços mudos

Você me procurou
O que quer comigo?
Saber como estou?
…Sentir como sou?

Abismos com piso de vidro
Difícil travessia
Te vejo logo ali
Quero estar ali contigo

Tô atropelando o tempo
Atravessando o espaço
Em sonhos

Ouço palavras doces
Gestos ainda mais gostosos que até me desnorteiam
Mas… O que você sente?
Por que veio?

Só quero viver
O que for realidade

A dor é real
O amor também é

Me ama com tudo?
Me ama contido e diz logo que agora não dá

Que o meu mundo tá intenso
E eu não quero conter versos
Pois estes já existem antes mesmo de existirem
Eles são livres por o ser

Tanto quanto a minha vontade
De te ver todo dia

Desculpa a pressa
É essa coisa virtual
Não sei lidar
Só queria dessa vez olhar pro lado
E ver você aqui comigo

Não tão literal
Não tão virtual
Você sabe.

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Busca lenta

busca profunda

visceral

o corpo sente

um grampo aperta

no meio do peito

que bom!

.

Se eu não tivesse um corpo,

pra onde é que iria isso, meu Deus?

Sentir isso faz sentir-me viva

faz ter que abrir a boca

pra expulsar o ar ofegante

faz precisar vomitar um vento que entope meu coração

meus sentimentos.

.

Um corpo é mesmo tudo que um dia eu devo ter pedido aos deuses

corpo quente com sangue escorrendo e fazendo curvas por dentro

corpo efêmero

que eu tenho que cuidar.

.

O que eu faço com isso

entalado

não sei dizer,

mas me parece que é o grande lance

dessa vida toda

desse buraco

e daquelas alegrias.

.

Corpo esse que entorpece sentimentos

resseca e molha o que pulsa

ora uma coisa ora outra

Corpo que nunca mente

mas revela

.

O que eu faço por dentro

o que expressa-se por fora

Não sei dizer

Movimento quente

Movimento lento

Quero brincar de amor

Engolir a vida mastigando delicadamente.

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Nossa heroína já não é mais a mesma, agora inventou de jogar poesias ao vento… Um velho barbudo, disse sem sono: – Onde você quer chegar? – Não saber implica insônias, disse ela. – Não, não… querer saber é que implica. – Obrigada!!! (O velho riu-se:) – Doce criança, há uma coisa que todos deveriam saber, se quisessem saber: Que viver ultrapassa qualquer entendimento…

…e, que é necessário escutar os deuses dentro de nós, sabe-se lá onde eles querem chegar…

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Eu realmente não sei onde é que eu começo, onde é que eu termino. Flores negras murcharam aqui e custam a encontrar seu verdadeiro lugar, que é a terra; tal qual sou eu sem Terra que me caiba, sem rio, nem sol. E uma Terra imensa a percorrer em sóis escaldantes e invernos intensos me rasga a seco o que aqui pesa, machuca e não a encontra. Onde foi mesmo que eu deixei minhas coisas? Onde foi mesmo que minha criança morreu em pé?

Não importa o quanto eu busque, sei que esse não é o caminho. É apenas o meu desespero, incansável, nada calmo, não persistente, mas incontrolável. A saída é algo que realmente eu perdi de vista. Por vezes avisto algo e imagino ser por ali, mas ao chegar mais perto não sei mais, perdeu-se again, and again, and again…

Tá frio aqui. De novo… Poxa!!!… Quanto custa pra o descanso ser lento?? Dá pra pagar a prestações?

Se ao menos eu vomitasse tudo de uma vez, pediria férias e atestaria fase de recuperação.

Quem é forte assim?? Caramba, que papo é esse de amenizar dentro pra amenizar fora? Eu quero olhar pro descanso, quero vê-lo, tocá-lo e saber que posso descansar também, assim, ao seu lado, sem despertador pra me tirar deste sono físico e sonho de alma. Eu quero o tom ameno e o som baixo e penetrante que me aconchega em meia lua e depois me faz voar. Quero morte séria, pra depois poder brincar. Não me agradam as piadas de mal gosto, os dramalhões e as comédias idiotas. Não, não me agradam. Me agradam as cenas intimistas, as cores fortes e o preto e branco, o tom de apagado e o sol. Ah… o sol. O sol me agrada. Os primeiros planos inusitados. Os focos e os olhares delicados. Apetecem-me os corações corajosos que ditam verdades fortes e me fazem respirar lento…

Os olhares distraídos são belos e me deixam triste, tem gosto de caminho a se descobrir.

A perdição do corpo reside nestes olhares, pois os pés perdem a firmeza necessária nesta Terra dura.

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Look the girl looking at her dreams

What does she think?

What are her dreams?

What does she think her dreams are?

What are her real dreams?

.

The best thing you will never know is you can’t control your life

.

You make the choices and the choices make who you are

.

But life…

Life is just consequence

.

So

If you don’t make choices

You are not connected with your life and you’re going to suffer

.

Cause no choices are bad choices

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